Um mercado... Caminho por entre bancas e barracas sob a luz do crepúsculo. Vozes e sombras dançam ao meu redor. Confusão, gritos, comércio, fumaça. Um instante: o cheiro dela!
Me remeto a um passado de amor, inocente, puro, sem pecado. Procuro por entre rostos desconhecidos. Feirantes, clientes. Aromas diversos confundem o ambiente, onde estaria?
Uma brisa, os galhos das árvores se movem. Vento forte. Um filtro dos sonhos se desprende de uma barraca cruzando meu caminho. Olho para os lados. Fumaça... Confusão... O cheiro dela.
Uma velha senhora vende seus doces, ao lado, uma criança chora, queimou a boca com um pastel de queijo. Música, dança, vinho. Vinho? Peço uma taça. Na ânsia da procura, volto a caminhar. Peixes, frutos do mar, gritaria, confusão. Alguém esbarrou em mim!!! Mancha de vinho na camisa branca.
Olho para o lado. Seria ela? Cabelos lisos, loiros, meio ruivos. Seria ela? Não a vejo a meses... Aperto o passo. Muitas pessoas ao meu redor. Paro ao seu lado. Decepção. Um misto de emoções. Caminho... Mais gritos, mais música, mais confusão, o cheiro dela!
Aquele cheiro que me persegue! Aquele cheiro que me abduzia, que me transformava, me renovava, trazendo todos os velhos sentimentos, precisos, confusos, diferentes, transcendentes. Todo renovado, remodelado em curiosidade, desejo, saudade.
Entre pessoas, me vi perdido, buscando pela fonte daquele aroma peculiar. Aquele perfume, mas não apenas um perfume qualquer! Seu perfume, misturado ao da sua pele. Aquele mesmo! Que me enlouquecia.
Ela esteve ali naquela noite. Eu sei! Eu senti! Não há maneiras de se explicar, é apenas um mero poder divino da alma. Sentir a presença da alma que se amou, que se entregou por completo, por infinitas vezes em vidas passadas e nesta vida! Minha alma sempre saberá quando está perto da sua. Simplesmente.
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